Visitamos esta semana o Brechó “Cansei de ser Madame” da empresária e designer de moda Iris Chaves. Um verdadeiro templo de pesquisa fashion, com atmosfera de boutique que oferece uma variedade de peças garimpadas a dedo. O espaço foi aberto no mês de novembro de 2010 e segundo Iris uma data extremamente ingrata, pois não houve nenhuma divulgação e as pessoas estavam envolvidas nas festas de final de ano e conseqüentemente preparando para as férias de janeiro. Para surpresa de todos o movimento no Brechó foi grande, pois as pessoas tiveram curiosidade em conhecer o conceito da marca e o funcionamento do processo de compra e venda das mercadorias.
O local possui amplo espaço, localizado a Rua Professor Moares, 73C – Bairro Funcionários/BHte.
Muitas pessoas não atualizaram seus conceitos sobre brechó e imaginam um lugar de vendas de bagatelas e que eles existem para pessoas que buscam apenas preços mais convidativos, mas estão totalmente equivocados. Em um brechó de qualidade descobre-se peças incríveis que fizeram sucesso em outras épocas, tornando-se estes verdadeiros laboratórios de pesquisa de moda.
Podemos encontrar no espaço uma variedade de produtos, tais como: vestuário, calçados, bolsas, Bijoux, cintos, complementos, como luvas, plumas, tiaras, óculos, um acervo que inclui da linha casual à linha festa.
Algumas marcas podem ser encontradas: Fendi, Dolce & Gabbana, Ralph Lauren, Dior, Louis Vuitton, Victor Dzenk, Marilia Pitta, Ronaldo Fraga, Caos, Chicletes com Guaraná, Comini Fasano, Iorane, Patricia Motta, Iódice, Patricia Vieira, Mirela, Eduardo Suppes, entre outras.
Todo o espaço possui uma decoração ambientada com móveis antigos e que contrastam com as cores, formas e objetos que adornam o local.
O brechó Cansei de ser Madame, possui um acervo que vai dos anos 30 aos anos 80, tudo lavado a seco ou artesanalmente. O diferencial são as peças vintage e usadas, de marcas nacionais e internacionais em excelente estado de conservação e devidamente higienizadas.
Muitas peças recebem um toque especial das mãos de Iris Chaves, que as transforma e produz um toque de charme e requinte a cada look, sem contar que desta forma ela agrega valor e da exclusividade de peça única a cada modelo. Declarando assim que está na moda o consumo de peças vintages e atuais com releituras retrôs.
O habito de vestir roupas de brechó começou com estudantes franceses dos anos 60, que tentavam compensar a falta de dinheiro usando a criatividade.
Após a grife italiana Prada reprisar sucessos do passado em suas coleções de roupas e acessórios, a partir de 1996, o estilo brechó chegou ao seu auge.
Passou-se 15 anos e hoje estamos revivendo este boom, não somente nas passarelas e editoriais de moda, mas no nosso cotidiano.
Iris Chaves desmistificou o conceito de Brechó, pois não esta dando conta de atender a clientela. Ela quer que a moda tenha um olhar globalizado. E diz ainda que o mundo pede socorro e que estamos vivendo em uma sociedade que busca a sustentabilidade e o consumo com consciência. As pessoas estão doentes por consumo e isto se deve ao fato de estarem carentes de afeto e vêem no consumo uma válvula de escape para suprir seus anseios e desejos. A designer esta realizada com seu trabalho e conta que esta em uma fase de desapego e sente o desejo de deixar um legado para a família.
Isto me faz lembrar da leitura do livro “O casaco de Marx – Roupas, memória, dor” – autor Peter Stallybrass . O autor nos faz refletir sobre nossa relação com as roupas e com as coisas em geral. Através das idas e vindas do casaco de Marx, Stallybrass nos faz pensar sobre as complexas relações entre as coisas como objetos de uso, e também como os objetos aos quais imprimimos nossas marcas carregam nossa memória e nossas vidas.
Eu voltei desta matéria renovada e cheia de idéias para minhas criações e termino com uma frase de Chanel que diz: “Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora, só porque é primavera”.
Pensem nisto e façam um consumo consciente. O planeta precisa de todos!…
Por: Heloisa Santos
Fotografia: Drika Vianna
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